R&J: a monografia.

Pronto. nasceu. nem vou falar mais nada, depois de tanta coisa… taí! Monografia Romeu e Julieta em Recorte – a poesia posta em cena

Por que poesia (no palco)?

“Tem coisas que nos deixam sem palavras. E tem coisas que as palavras não dão conta de dizer. É aí que entra a dança” Essa frase, presente no filme “Pina”, de Win Wenders (sobre Pina Bausch) me gerou inquietude. Sou uma pessoa de silêncios (apesar de falar muito) e talvez tenha escolhido escrever porque constantemente as palavras me fogem. Mas o corpo não cala, jamais emudece. E muitas vezes desejei que palavras saíssem de meus gestos com tal espontaneidade com que movia meus braços. Sem filtro do córtex frontal, mas com a precisão de conteúdo que um gesto encerra. A poesia, porém, me trouxe um pouco desse lugar, pois é parte palavra, parte silêncio. E há certos conteúdos que, para serem tocados, necessitam do verbo permeável. Geralmente, são os conteúdos que se...

Romeu e Julieta em Recorte – finalmente, a apresentação

21 de abril, sábado, feriado fictício. Manifestações contra a corrupção seguidas de repressão policial. A polis de Escalo não está dando certo faz tempo, e a violência não tem mais nome, nem sobrenome – é tudo S.A. S.A X Anonymous. Sentada no metrô, carregando uma sacola recheada de flores de papel crepon, um pozinho mágico e dois lança-confetes, eu pensava novamente na razão daquilo tudo. Em qual era o sentido dessa peça hoje, nesse tempo e nessa cidade. De repente o trem parou no meio do túnel, e só depois de algum tempo ouvimos: “atenção senhores passageiros, estamos aguardando a normalização do sistema”. Então, sentada confortavelmente, no ambiente climatizado e civilizado de um trem sem condutor, lembrei da fragilidade que tanto tentam nos esconder, do...

Algumas considerações antes do fim – Do cantinho da dramaturga ao proscênio: a arte concreta da direção.

Antes de falar da apresentação, preciso compartilhar algumas percepções sobre a arte da direção teatral. Minha postura de vida, é claro, reverberou diretamente nesse ofício que acabo de experimentar. Não estou falando do óbvio, das minhas escolhas estéticas, mas daquilo que, por ser involuntário, sai de mim sem que eu perceba e interfere no que todos percebem: a própria cena. Meu olhar é enviesado, através. Meio de canto, meio de esgueio, meio emoldurado por bordas de óculos. Pelo enquadramento do cinema. Pela distância das palavras. O contato direto com a experiência me assusta, mas em dimensão maior, me encanta: daí o conflito. O conflito de amar o conflito e temê-lo, ao mesmo tempo. Como a menina que via filmes de terror entre dedos. Sempre me pergunto o por...

Ensaios R&J – Nono Encontro

Era o último que nos restava. A única coisa que eu tinha certeza é que precisaria de foco. Acaso fosse uma pesquisa nas condições ideais, arriscaria dizer que só agora começamos a entender algumas coisas, e seria o momento de brincar bastante com as possibilidades do texto, de sua música, da métrica, do efeito das palavras. É o que eu faria se tivéssemos um prazo maior. Talvez todo diretor sinta isso, independente do tempo que tenha para a montagem, e talvez esse sentimento seja parte de qualquer processo. Divagues à parte, querendo ou não, era hora de fechar a cena. Durante a semana, fiz uma pequena descoberta cenográfica. Ainda buscando algo que pudesse dar o efeito de uma poeira colorida, resolvi testar o uso de polvilho doce – que já havia visto em cena...

Ensaios R&J – Oitavo Encontro (tome fôlego antes de ler)

Uma hora de palco no teatro do Célia Helena, e mais outra de conversa com Tatiana. É o que tínhamos hoje. O dia seria para fazer as marcações de cena e luz (único ensaio no palco antes da apresentação), e todos os outros diretores que mostrarão suas cenas no dia 21 teriam que se preparar também. O horário estava escalonado, e não poderíamos atrasar. Estávamos marcados para as 11h. Cheguei um pouco mais cedo com Garbel, e Tatiana e Cris já estavam nos esperando. Minha mente operava em duas velocidades: o tempo externo, absolutamente corrido, porque era claro que não teríamos como cuidar de tudo, e o tempo interno, que estava absolutamente dilatado. Chegando ao interior do teatro, olhando para o palco vazio, um segundo de rapto: lembrei do por que de tudo isso,...