domingo de ouro e rosas

nesse último domingo, passei um dia com o Pedro. Só nós 2. fomos ao teatro (a primeira pecinha dele), um trabalho muito bacana da Pia Fraus, Bichos do Mundo. Depois, como quem não quer nada e tem muito tempo livre – e nós tínhamos -entramos na Casa das Rosas. Fazia um final de tarde lindo. Dividimos um pedaço de bolo, e logo ele se meteu na aventura de correr pelos jardins. Descobriu a fonte de água, quis se jogar lá dentro, depois se contentou com os respingos de água na palma da mão. Ignorava as flores e cheirava as folhas, com uma expressão de quem decifrava um odor já oculto para maiores de dois anos. Sorria como nunca, enquanto corria pelo espaço livre, e só atrasava os passinhos para olhar para trás e conferir se eu o estava seguindo – pelo puro...

e aí, dá tempo?

segunda-feira. só a semana que começa, mas o prazo pra muita coisa tá acabando. pra pagar contas, pra fazer projetos, pra resolver pendências chatas que eu adio até o último minuto, entre outras milhares. prazo pra muita coisa se acabando…Isso inclui o mundo, por causa das guerras e da ameaça nuclear, isso inclui as calotas polares, por causa do que todo mundo já sabe, isso inclui minha paciência pra tudo isso, isso inclui… posso tomar um ar, por favor? às vezes, dá vontade de fazer que nem o Hero Nakamura, congelar o tempo. Dá vontade de congelar só as ações filhas da puta e poder gozar um pouco e sem pressa as coisas boas – e são tantas! – desse mundo. isso é culpa? é. prepotência? é. criancice? é. mas eu sinto assim. tem...

delírio do dia

certas histórias poderiam ser vividas só no meio. sem início, sem fim às vezes é bom viver sem prólogo, sem saber de amanhã. ou até do instante seguinte.

corrente

Imagine um rio e, como uma foto, num instante dessa corrente congelada, um rosto. na linha da eternidade, um eu existente. uma expressão frágil, como parte de algo na iminência da mudança, de transfiguração em nova forma na água. existência instável. Imagine um rio sem correntes congeladas, mas todos os rostos possíveis passando livres pela correnteza alternando-se, sem medo, no ir e vir da dissolução. Visto um pouco mais de trás, o rio tem margens firmes, forma precisa, e destino certo: o oceano.