pequena ode à real democracia

As eleições estão aí. E como ficar à parte é uma escolha que determina sua parte, decidi entrar no jogo das opiniões e tornar público meu ponto de vista. Nesse domingo encerra-se mais um espetáculo democrático. Ainda vai ter dedo no olho, certamente, no último round em rede nacional. Luta de gladiadores, numa arena em que nos permitem brincar de Cesar e apontar polegares: cada um, um dedo: voto. Sim, essa democracia é um avanço, se formos comparar com monarquias absolutistas, ditaduras e outras pérolas de nosso lento engatinhar. E hoje, tecnicamente, qualquer um de sangue vermelho pode se candidatar. Contanto que legalize um partido, tarefa que alguns deixaram bastante árdua. Ou arranje um que te acolha, e se for eleito, reze pela sua vida na corte. Ainda assim,...

os jardins de Dador

Dador é uma terra distante quente, mãe. é uma terra antiga, que rejuvenece. Aqui tem um pouco de lá, pra imaginar o...

aprendendo

(o) Eu que na sua (minha?) porção rainha já pisou sobre tapetes estendidos escarlates Hoje, elevando, vendo pisei sobre tapetes púrpuras e amarelos das ruas em primavera estendidos não para, mas com.(igo). Juntas, as cores caídas e eu, agradecemos, horizontalmente, ao tempo de flores.

da série: pecado ou virtude?

ambição: maldição de nunca mais o presente. do nunca suficiente. febre intermitente, mas permanente, ou motor da curva ascendente?

dos cantos

Minha mãe disse que quando… Antes de eu nascer, durante sete meses, eu chorava na barriga dela todos os dias, às 3 horas da tarde. Mas minha mãe não contou isso para mim. Só depois que eu fiquei sabendo. E eu nascia numa sexta-feira, às 3 horas da tarde. Até que um dia, eu comecei a ouvir um canto. Você ouve? Eu ouvia sempre, sempre, chamando. A água era pouca, tinha que ir buscar no rio, todo dia, ainda criança. Punha o pote na cabeça e ia, doida pra ouvir o barulho da água batendo aqui em cima na volta. Nem ouvia mais meu pai gritando quando saía, porque já estava escutando era a água… Aperta o passo, minina, que a chuva ainda tá longe. Aperta o passo, minina. E pega a trilha mais curta, sem essa de pará pra ver bicho ou frô seca no pasto. Se...

abrindo as portas do quarto escuro

Tenho medo do passo em falso Enquanto deveria temer a certeza pois não é o pé em suspenso, vacilante e instável, que leva ao passo adiante? Temo as mudanças ao invés da estagnação. Ao contrário, a permanência me conforta as claras respostas vindas das provas concretas. Peço para que se cale minha dúvida meus questionamentos, conflitos. Que me deixe em paz nessa ilusória permanência de quem recua frente a ele O medo Eu, que deveria temer a realidade temo a mudança Eu, que deveria temer a certeza, torturante necessidade do acerto, calo minha infantil curiosidade. Minha intransigente faísca que me impede a certeza absoluta de coisa alguma Eu, que deveria deverei, devo. (embora não saiba o que) Tenho medo do escuro mas não entendo o que é a luz. Só, a sós, sinto seu...

Às vezes, ao firmar o céu, A gente tem vontade Quase necessidade De ver além de estrelas.