fim de tarde de um fim de ano

Era tanta coisa pra ainda fazer, que ela foi ver o céu azul virar alaranjado. Pra sua surpresa, viu foi rosa e violeta. Era tanta cor no céu, que ela largou as tantas coisas pra fazer pra virar violeta ou rosa. e fincou os pés na terra, sujou tudo, a casa até, nem ligando pra mais nada.

poema-título

tenho? mundo passa serve à pressa ao passo, tempo caio lento, narmadilha, ri-te, passa ao largo alento tempipassa quem que guia? quem? ao que arma o dia sou? mês bis passa de estação em solilóquio de equinócio a solstício na procura nautopia nau veleja capitânia nau que segue nalma guia que navega enverga o traço mapa, engano gps passa o ano, ARRITMIA.

Diário de ET: o mais difícil de entender até agora

Terráqueos emprestam seus bens – chamados dinheiros – a um grupo privado chamado banco. Emprestam pra eles guardarem, porque as casas não são seguras. Para guardar dinheiros em bancos, pessoas deixam parte dos dinheiros como pagamento. O banco pega o dinheiro que a criatura deixa lá e empresta pra outros, até pra esse próprio. Por emprestar, as criaturas pagam mais dinheiros ao banco. É uma lógica estranha, pois se não tem nem pra eles – por isso pegaram emprestado – como darão mais ao banco? Os dinheiros podem ser na forma de papéis impressos, papéis preenchidos a caneta (esses ninguém gosta) ou um cartão de plástico. O cartão é o que o banco mais recomenda. É tudo mais rápido, e o banco pode intermediar tudo com muita facilidade, porque...

lugares sagrados III

Hoje passei o dia na USP filmando. Como há dez anos, só que hoje do outro lado. “Orientando”. Deu muita alegria – passar o dia em frente ao monolito-2001-kubrick-praça-do-relógio, lembrar do aprender sem limites e ainda querer mais, gravar o mesmo campo de flores roxas onde, em 2000, atores gritaram EU TE AMO saindo do meio delas (na cena pinabausheana criada por Ana Roxo e por mim), passar no bosquezinho de árvores do lado do CAC, onde eu pensava na vida e no que seria dela. Refletia, re-fletia. Pelo reverso. Terminamos o dia tomando café, alunos e eu, + Dja e meninos, juntando ESPM, USP e casa. Unificando pontas, papéis, décadas, juntando tudo num mesmo espaço-tempo. Tão estranho que deu barato, até agora estou meio em...

líquidas

Tenho aprendido muito com as águas. Não se muda um curso de rio, aprende-se a navegar nele. A natureza das coisas nasce com a sua essência.

pequena ode a Itamar Assumpção

acho que não falei por aqui, mas estou orientando um documentário sobre o Itamar – orientando, leia-se metendo a mão na cumbuca, porque não dá pra ficar só no palpite com um assunto desses. tenho aprendido muito. me deliciado muito. isso vale um post exclusivo, inclusive. agora estamos afinando o olhar para a cidade, buscando Itamar em São Paulo, hoje. dei de frente com uma cena...

vazou um tequinho de peça nova

Tá bom, eu não aguento. vou publicar só um pedacinho – mas ainda é segredo, não conta. tá bem no começo. Reverberavam, sentados, lado a lado, escondendo do outro e de si, sem mais poder esconder nada. Ela ria alto, sem freio, deixando escapar parte da ânsia entre os dentes cerrados, tentando frear o inevitável. Olhos se cruzavam rápidos, se demorassem um segundo mais seria fatal, o silêncio não deixaria rotas de fuga. Falavam, então. Cantavam, às vezes, gargalhavam sempre, sempre, evitando as pausas do pós-gozo do riso com novas piadas ou uma súbita seriedade, como se houvesse algo mais sério que a incontrolável entrelinha que, furiosa, cavava espaço. Enfim, aconteceu. Foi descuido, depois da décima nona gargalhada, exaustos de tanto achar graça das coisas....