senhora do tempo

Chegando a hora sem hora do tempo sem curso, aos filhos da terra nova, coragem! Coragem a quem ainda ousa reverberar alegria. Não são tempos negros ou brancos, as cores não mais os descrevem. Então venha a nós, divina lembrança, do destino sagrado que lá… nos reserva. Que as águas de nós, turbulentas, não traduzam a tempestade como o rosto do espanto, mas com águas de broto, divina terra.

firme

amanhã cinemo de novo, depois de tempos teatrando, escrevendo. sabe subida de montanha russa quase chegando lá em cima?

intempérie impenetrável

em tempos de tempestade, a pele impermeável provoca enchentes, derrames, dilúvios.

ainda na pré

cinemando amando cinemar assim ando

pré-produção

relembrando todo o cultivo de borboletas no estômago, conhecendo gente nova e especial, locações, sonhando acordada enquanto trabalho e sonhando com trabalho enquanto durmo, os cheiros novos de possibilidades, imaginação coagulando em matéria. eis uma época intensa, às vezes tensa, mas feliz.

toda vez que me pergunto pra que ando servindo, o que ando produzindo, me pergunto também a que serve essas perguntas a quem serve? servidão. e de repente dá um impulso incontrolável de ser absolutamente inútil, além de só existir.

ventania de final da tarde

estou vulnerável. as tantas e tantos em mim disputam espaços. já nem sei mais. cada qual com sua própria bússola, seu tão seu norte. sou vaso pronto pra ser fincado na terra, se escolho viver entre os homens. busco um propósito-raiz que valha. mas se ainda envergo com o vento, sabe-se lá o dia em que poderei remover as estacas. dói de vergonha ainda estar atada a um pau inerte, por medo de me afundar demais, e morrer de rigidez.