motivo de tantos silêncios…

obrigada,...

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, pelo desequilíbrio, agradecida, pela instabilidade, agradecida, pelo passo em falso tomado pelo medo, agradecida, pelo reequilíbrio, pela inércia superada, pelo confronto com a queda, calor, ansiedade enfrentada, pela impossibilidade de se impor pensamento, pela urgência das respostas por segundo, pelo corpo desfeito estátua, pelo fato de ver-se no espaço, pedente, caída, pendente, pra frente, sem tempo de regredir, sem tempo de arrepender, sem tempo de julgar, sem tempo de congelar, sem tempo de não-ser, sem tempo de angustiar, por tudo que vai nascer, por tudo que pede amparo, por tudo que pede entrega, que pede queda, devoção, cuidado, pelo vetor para frente, cima e dentro, pelo profundo que brota da ação, pela ruptura do velho, pelo espanto – de quem...

lendo Mia Couto

nossa! é ficar com promessa de choro viva entre o peito e a garganta, quase escapulindo olho afora. dá pra ler de tacada não, pede tempo de pedir socorro, de pedir abraço, de dar abraço, até. Na aridez descalça, agradecer pela água. Eu agradeço as palavras dadas. “A vida é demasiado preciosa para ser esbanjada num mundo desencantado”. Vixe, que coisa boa de ler!

orgânica

Se por um acaso trocassem o estômago pelo coração, que passaria com o ar que o sangue carrega? Tragado, triturado em ácidos, digerido sem fluxo. Haveria, talvez, refluxos de oxigênio. Que seria do amor na acidez da digestão? Seria ansiar pelo mundo, as pessoas do mundo, como um grande alimento? Um caldeirão centrífugo, tragando o que se necessita para aplacar a fome. Só sairiam os restos, desnecessários e inúteis. A outros. E o coração, todo aberto, não reteria alimento, só o deixaria passar, bombeando em desapego, como é próprio de sua natureza. O ser, então, morreria de inanição devorando o mundo, achando que ânsia era amor.

um numerozinho redondo…

Há mais ou menos uns 6 meses, coloquei um contador de visitas no blog. Sei lá se movida por ego, curiosidade, ou até vontade  de saber se o dito aqui tem serventia. Pra minha surpresa (mesmo), vi que tem gente que lê, que continua lendo, mesmo num mês que nem esse, que eu tô louquita da silva, sem tempo pra muita palavra, por conta do retorno às imagens. Nesses dias, reparei que a contagem bateu em 10 mil. Aí me veio um agradecimento grande, grande, mesmo sem saber quais são esses rostos leitores. Quem se mete com coisas do tipo deve entender, é gostoso, muito, saber que a escrita circula… e que tem gente por aí me escutando com os olhos. Obrigada, então. Café?

respingos antes de um último dia de set

Ano de mercúrio, tudo muitorápidoagorajanesseminuto. Peguei no ar o momento de voltar a dirigir cinema, apesar de parecer impossível, dadas as condições do momento. Não ia fazer, era apertado demais, pepino demais, loucura demais, os meninos, pequenos, buraco na conta, e sei lá tudo aquilo que vem quando a gente tem medo. Mas aí, não sei o que acontece, as coisas vão dando certo, pessoas foram chegando, ajudando, a equipe foi se formando, e todo esse gerúndio acontecendo, de repente o impossível, o improvável foi perdendo força e a história resolveu que queria existir fora do texto. Entreguei-me ao sacerdócio, às doze horas diárias de set, às doze horas restantes do dia pesando no dia seguinte (inclusive nos sonhos), às conversas no carro de um lado pro outro, à...