na tormenta, em vôo livre

e se o vicio só fosse daquilo que eu sem saber via como motor? e se o vicio só fosse daquilo que sempre salvava nas noites de dor? e se o vicio só fosse o vazio às avessas, o véu de esteio da minha ilusão? e se a vertigem que agora me zonza a cabeça é clareza de ver a verdade? em vão? não. e se agora tá tudo tão solto que nem as palavras dão conta de nada? do nada? além?

indo.

No silêncio dos dias, agradeço. No silêncio da noite, espero. No silêncio forçado dos meus pensamentos, descubro. De repente, eis que aparece outra ela, outra coisa, outra eu. Não sei se tem nome de eu, porque vem no silêncio do que achava ser pensamento, achava ser corpo, mas descobri ilusão. De surpresa, cavando espaço na fratura, surgindo de um tremor do corpo, brotando de um choro desmedido e inesperado, um ser que sinto ser. Quase me apresento a ela, tão estranha que me parece, apesar de tão familiar e antiga. Brotando de uma quase perda de consciência, brotando de uma terra devastada. Brotando de um hiato, de uma fenda na continuidade. Surgindo da instabilidade, de uma vida que parte de um corpo que fica, confundindo o que se sabia claro, o que se pensava...