com a palavra, Itamar+Alice

estamos finalizando, na ESPM, FINALNALNALNALMENTEEEEE!, o documentário sobre ITAMAR ASSUMPÇÃO, que tive o prazer de fazer com meus amigos Pedro Colombo, Clarice Braga, Vitor Gonçalves, além de muitas outras pessoas queridas. nesse processo, passei um ano e meio ouvindo as suas músicas, mas sempre se pode surpreender, né? na última quinta, na Casa de Francisca, vimos o show das Orquídeas do Brasil. Foi tão lindo, tão intimista, tão especial que vi coisa nova no que achava que sabia. então revisitei essa pérola, só uma de um colar de milcontas que é a obra desse senhor. Milágrimas (Alice Ruiz e Itamar Assumpção) em caso de dor ponha gelo mude o corte de cabelo mude como modelo vá ao cinema dê um sorriso ainda que amarelo, esqueça seu cotovelo se amargo foi já ter...

min’s gerais

faz tempo que não me dou a mineirices, até porque rótulos me apertam depois de uma estação. mas não sei se por conta de recentemente mexer em pedras, não sei se por conta de ver fotos de amigos antigos em Ibitipoca, não sei se por conta de qualquer outra coisa, me deu vontade de montanha. de café e de conversa à toa. me deu vontade daquele sotaque calmo, diminutivo, que hoje só me resta vagamente. assumo: deu saudade daquele tempo sem pressa. não sei se por conta de saber que a casa onde cresci e fui feliz vai ser demolida e virar prédio. até achei que nem ligava, morando em SP isso é até normal (?). mas será que tem parte minha chamando? Vem aqui um cadim… não pode ser, né, que parte da gente fique gravada em alicerces de coisas… é só tijolo, areia e...

carta-prólogo de mim para mim

ainda pra peça. Querida(o) amiga(o), Há muito tempo aprendi que não tem como se transmitir registros ou sentimentos. Isso acontece por ressonância, e só o que podemos fazer é vibrar. Então te mando essa mensagem, esperando que ela reverbere no seu vazio. Talvez ainda haja uma partícula de alguma coisa que possa conduzir o dentro de mim para dentro de aí, de você, que também sou eu. Ou serei, ou fui. Sei lá. Não vou ocupar tanto seu tempo, eu sei que vc tá ocupado. Eu sei que tem trabalho da faculdade, eu sei que também tem trabalho fora, estágio, eu sei que carta tá fora de moda e minha letra é horrível, mas eu não sei escrever em arial. Eu sei que você diz que não tem mais tempo de inventar outros mundos, porque nesse já tem muito trabalho. Eu sei. Mas outro dia...

PARA VER O SOL

Essa cena foi escrita em processo colaborativo com o queridíssimo Otávio Dantas e as alunas do grupo Tangerina (teatro da ESPM). Me diverti horrores escrevendo. Delícia de viver isso aqui! Três meninas (6 a 8 anos de idade) dormem em um quarto. Aos poucos vão abrindo os olhos com um sorriso “sapeca”. Fazem sinal de silêncio umas para as outras. Vagarosamente e, na ponta dos pés, caminham até a porta. Observam fora do quarto se comunicando com gestos. Fecham a porta e comemoram alto. Gritaria total. Se abraçam, pulam e dançam. Sheila – Finalmente, finalmente! Manu – Põe a música! A música! (Manu corre e aperta play em um aparelho de som. Todas dançam muito animadas uma coreografia em cima de uma música das Spice Girls. Até que uma delas interrompe.) Sheila – Pára,...

oi?

como assim? Há um minuto era 09:00, e agora é 09:46? quanto tempo tem um minuto mesmo?

para tentar entender

Meu pai tem aquela típica fadiga de quem passou a vida achando que tinha que remendar tudo. Mas a rede de buracos na teia era enorme. Mesmo para alguém formado em medicina. Agora, cansado, ele se dedica a descosturar cicatrizes. Vive na anti-cirurgia de si.