diário de férias

fomos com as crias no mar. primeira vez do Gabriel. terceira do Pedro, mas também parecia a primeira. chegamos naquele finalzinho de tarde quase noite, mas dando tempo de dar um chego na praia. tomar a bênção, essas coisas. e se perguntar: por que demorei tanto para voltar? de frente praquilo tudo, eles não resistiram. soltaram as mãos e correram, infinitos, mesmo contra o vento de recomendações. fui atrás, fingindo ser mãe, sendo então mais um pé ansioso de areia e água. senti, novamente, o caminho percorrido. senti, junto com o vento na pele úmida de sal, que tem muita coisa que assombra, mas nem por isso assusta, e que o medo é só coisa que a gente aprendeu errado. tão bom foi, sentir novamente os pés na areia espelhada, nem praia nem mar, aquele terreno...

2012

agradeço ao meu choro e ao meu riso a ter vivido dignamente o que foi preciso agradeço o retorno ao caminho sagrado agradeço a poesia alheia, em palavras mesmo, mas sobretudo em gesto. e foram tantos, tantos… agradeço ter percebido o que desperta na gente um toque de mão amiga agradeço o som da voz de meus filhos pedindo: “mamãe, me dá a mão?” agradeço a chuva que lava, que lava, que lava, que lava e que mostra que os céus também choram agradeço ao amor que renasce não por ser ano novo, mas por ser sempre. bem-vindo, 2012!