Ensaios R&J – Pequeno interlúdio estelar silencioso

Essa foi uma semana atípica de começo de Outono. Não conseguimos nos encontrar, apesar de dois encontros marcados. Como pedi para que o que regesse esse processo fosse o aprendizado, não faria o menor sentido brigar com as circunstâncias, especialmente aquelas fora do nosso alcance. E se nesse ano de 2012 as coisas estão realmente intensas, como creem vários – inclusive eu – achei por bem entender a mensagem, a começar por algo óbvio: o que significa essa mudança de estação? “O útero da Mãe Terra é representado pela caverna do Urso. É o lugar de morrer para renascer. Da nutrição e da proteção. Do mundo subterrâneo e da escuridão, o Feminino Profundo. (…) Segundo Meadows, o Outono vai se firmando, criando uma tensão. Ao sair do verão, o tempo...

Ensaios R&J – Sexto Encontro

Nessa semana, conseguimos um dia comum para Romeu e Julieta. Resolvemos ensaiar no estúdio de video da ESPM, onde leciono, espaço amplo e quieto, que era exatamente o que precisávamos. Agradeço ao meu amigo Luiz Fernando da Silva Jr, coordenador do Núcleo de Imagem e Som, por essa chance de um mergulho no fundo infinito. A cidade já pulsava o outono, mas ontem choveu bastante, ou o suficiente para deixar o paulistano ainda mais agitado, além do já normal de uma sexta-feira. Antes de começar o ensaio, almoçamos juntos, compartilhando as percepções sobre a densidade do mundo nesse momento. Realmente, ninguém escapou de uma semaninha enfrentando leões, sejam eles pessoas físicas ou jurídicas. Pessoalmente, eu mesma me engalfinhei com o Banco Santander, e me...

Ensaios R&J – Quinto encontro

O nosso quinto encontro divide-se em duas partes: o ensaio propriamente dito e a apresentação da cena a Tatiana Motta Lima, minha orientadora. Marcamos no Célia Helena às 13:30 (Garbel+eu), às 14:00 (Cris e Dani) e Tatiana chegaria às 15:30. Retomamos o ensaio do Mercuccio, começando por um aquecimento. Ele estava preocupado com o texto, que ainda não estava totalmente memorizado – realmente, isso é uma questão que drena bastante energia do ator, e ele em especial, PHD na arte da auto-cobrança. Já no aquecimento, percebi o peso desnecessário que Garbel carregava consigo, o que dificultaria chegar na energia de Mercuccio, e percebi que eu também carregava esse peso. Não é todo dia que a gente está pleno, afinal. Recém-chegada de alguns probleminhas...

Ensaios R&J – Quarto encontro

Entre uma semana e outra muita coisa acontece, e entre essas coisas, a Dani conseguiu um trabalho. Sem Julieta, não faria sentido ter um Romeu, ainda mais um Romeu que sairia de um dia inteiro de compromissos, iria ao nosso encontro e sairia para uma nova reunião às 11 da noite. Se eu insisto nesses detalhes, não é por preciosismo de narração, mas porque é essa a nossa realidade, e é ela que levamos à cena. Para cada hora de arte representada temos, em igual proporção, a mesma energia colocada na arte de conseguir cruzar encontros. E conseguir é sempre uma comoção. Como resolvemos intercalar a cena do baile e a do balcão com o texto de Mercuccio, mesmo sem Romeu e Julieta havia trabalho a ser feito, e já estava mesmo pensando em ter um dia separado com Garbel. E...

jaca

acho jaca uma palavra que parece jaca. engraçada que nem a fruta, só que menor que ela. passei no sacolão e cheirei uma, sem coragem pra encarar o combate de desmembrar a bicha. para minha surpresa, ganhei um pouquinho da fruta já domesticada, presente da minha sogra, senhora dona Socorro. desde então tenho lembrado de Araçoiaba, cidade pernambucana onde uma vez estive. onde conheci gentes incríveis. e por onde a gente passava fazendo documentário, ganhava uma jaquinha de presente. com o maior carinho. carinho da terra do maracatu, mas isso eu só descobri quando cheguei lá. vai um teco? tem bastante. e cheiro bom.

Ensaios R&J – Terceiro encontro

Conforme combinamos na reunião anterior, iríamos nos encontrar numa escola de educação infantil na Rua Humaitá, espaço que o grupo de pesquisa do Garbel ocupa há  quatro anos. Marcamos na quinta à na quinta à noite, único dia possível a todos. Essa foi mais uma semana de muito calor em SP. Por alguma razão desconhecida, meu joelho esquerdo passou a doer muito, e apesar de ter provavelmente forçado no treino de Kung Fu (que pratico), imaginei que alguns fatores emocionais também teriam sua parcela de responsabilidade. Nosso ofício de construir sonhos está sempre rodeado pela densidade do real, e todos nós temos sempre que lidar com a fricção entre a paixão pelo teatro e o descaso público. Todos trabalhamos muito, saímos de um canto a outro da cidade, de uma aula a...

Ensaios R&J – Entreato: As traduções

Até esse último ensaio, tinha conseguido reunir algumas das traduções oficiais: a de Beatriz Viegas-Faria, de Carlos de Almeida Cunha Medeiros, a de Bárbara Heliodora, e a de  Oliveira Ribeiro Neto, além da que estava disponível na web, no site de obras de dominío público, cuja tradução não foi creditada. Também tinha em mãos a versão que Christine Rohrig fez para Marcelo Lazzaratto (que gentilmente me enviou, a título de pesquisa) e ainda esperava chegar pelo correio a tradução em verso de Onestaldo de Pennafort, que encomendei de um sebo. Essa última foi a versão utilizada como base pelo Grupo Galpão, e despertou também meu interesse. Resolvi que não ia começar a trabalhar antes de ter todas essas traduções comigo, para que eu pudesse realmente fazer uma...