ainda sobre formigas

hoje, no café. um ponto preto que andava sobre a toalha da mesa. com a mesma naturalidade de quem tira o resto de pó do pão, parei o ponto. assim, espontaneamente. matei no piloto automático. é muito fácil interromper uma vida.

segunda chance para falar da vida

mamãe, a formiguinha rasgou! (ela, se contorcendo, até que parou. eles, intrigados, com um giz de cera na mão) não pude mais fugir. a palavra saiu, depois de muito lutar: não querido. a formiguinha morreu.

nota de outono em primavera

hoje poderia brindar com água.

nota outonal

o empuxo é o impulso pro próximo pulso.  

chuva, torradas e hummmms

Fazendo uma revisão do que imagino querer na vida nos próximos anos, percebi que praticamente tudo está relacionado com a seguinte questão: quem sou eu? Antes, respondia esse pergunta com alguns adjetivos e atributos. “Uma pessoa assim assada”. Depois, percebi que a gente se define pelo que faz. Então respondia pelas coisas que fazia, ou que ainda pensava em fazer. Nos últimos meses, estou numa profunda transformação. Há muitas bases, antes muito sólidas, caindo. Tenho aprendido a me ouvir mais, e me surpreendendo com o que escuto: muitas vezes, é uma voz muito distante do que pensava ser a minha própria. No começo é muito estranho, porque gera uma dissonância. A parte de mim que arduamente foi construída se recusa a dar passagem a essa nova, tão amena, com...

dia das mães

tava aqui pensando no que é “mãe”. definições, sabe? então o Gabriel pediu colo e colocou, num suspiro, o dedinho na boca. Encostou o pequeno corpinho um pouco pra trás, relaxou a cabeça… entregou. Na certeza absoluta de que teria amparo, de que teria amor. né isso?  

37.

data abstrata. nasci 1975. 10.05.1975. Há quase 37. não sei o que significa. Já sou tantas desde então, que não sei quantas fui em tantos anos, que nem parecem tantos, que nem se parecem anos. nunca tudo esteve tão louco. tanto que nem sei mais se sopro a vela ou se espero que outra, em mim, a sopre. Outra que espreita um pouco atrás. que espera. que talvez, em pouco tempo, aniversariará. nascerá. bebezinha. Enquanto isso, comemoro-me, enquanto morro mais um pouco. até que Ela, eu-viva, viva plenamente, e então será eterna. e então aniversários só serão datas pra comer brigadeiros.