aos meninos, primavera de 2012

hoje, num raro momento em que não precisava ser prática, navegando pelo blog do meu companheiro Djair, dei com esse post. uma carta que ele escreveu aos nossos filhos. fiquei emocionada. claro, é um retrato de um momento, provavelmente escrito num desses dias em que ele fica cuidando dos meninos (porque a gente reveza). hoje sou eu que estou com eles. e enquanto tento escrever esse texto, Gabriel me chama 1000 vezes para fazer um desenho. situação típica e simbólica. por que é mais importante escrever que atender a uma criança – sendo essa uma fase que durará tão pouco? não sei. é uma intensidade tão grande que talvez a gente peça um escape, imagino. nada é afirmativo quando se trata de filhos. fiquei então pensando o que escreveria a eles, Pedro e Gabriel,...

rogância

…então no quintal da minha arrogância dou incumbências às divindades: façam acontecer isso ou aquilo! (por favor) só assim darei minha vida! a mãe, bondosa, acolhe e ri. o pai, então, me joga no contrário: para que eu conquiste com minhas mãos meu pedido, ou caia no chão, abrace a terra, (e só então entenda) que sou eu quem devo abrir os ouvidos ao que fazer.   silenciar, ouvir e fluir   e com o livre-arbítrio de abraçar ou não o caminho.  

dual

eu, corpo, verdade. ela, mente. isolada, mente.

rastros de sonhos acordados

sempre atenta a tudo, vigilante, às vezes caio no sono. caio do cavalo. caio no rio. ainda viva, levanto a cabeça pra fora das águas. agarro num tronco em plena correnteza. sou salva pelo pedaço de madeira. valente, coloco-me de pé na margem. busco fuga da emboscada. mão no coldre, sempre alerta. aviso aos companheiros que a situação é crítica. durmo mais. por detrás, vem a bala. cedo ao tiro, praguejando: Então o velho Marshall me pegou! então, morrendo (e só assim), percebo, lúcida: sou eu, mulher, mas era eu, caubói. Malditos filmes americanos!

minha casa redonda

meu coração não cabe em triângulos. (só círculos) não bate bem com hierarquias.

bem-vinda primavera!

… e se aos vinte e poucos anos acontece a maturidade da adolescência… … (frio)… … aos trinta e poucos começa a adolescência da maturidade… … (seco)… … e daí eu acho que não acaba nunca… … (flores)…

poesia pra dias difíceis

com febre, com dúvidas, com raiva de tantas coisas lá fora, em casa sozinha com os meninos. querendo ver minha mãe, que está longe, e tendo que ser muito mãe. café da manhã. resolvi me entregar à ternura, para não alimentar o bicho. tomando café com Pedro, ele apontou pro copo onde bebia suco – quase vazio –  e inventou: quero o copo grande, mãe. o que? quero grande. espicha, mãe. entendi. queria mais suco, até que o conteúdo ficasse grande no interior do copo. espicha mãe. isso! (feliz por ter sido entendido) depois expliquei que a frase seria: enche o copo. mas gostei do espicha. depois brindou comigo, ele com suco, eu com café. em seguida, soltou: você tá quase quebrando, mãe?   sim, filho. estou…   (eles nem sabem. nunca sabem:...