curando criança.

à vingança se resiste. como quem resiste à violência. como quem resiste ao sentimento de vítima. ao impulso de aniquilar o outro por ser projeção de um mal passado. como quem resiste à mentira de que o mal existe na essência. a gente resiste a algo que sente adesão. como se aderir a algo tão destrutivo a si mesmo? se um dia passei a acreditar nessa verdade nociva, de que me fizeram mal, e passei a me confortar na promessa de revanche, como reverter? se arranco de mim a promessa de vingança, que compensação futura me resta? só me resta desmontar o circo. abandonar os bandos, os times, as partes, desistir desse jogo. abrir mão das migalhas. reconciliar conciliar reconfiar entregar e mergulhar de volta no paraíso (nunca perdido, mas esquecido)...

desfrutando descobertas cos menino

dentro do morango mora um sol dentro da maçã vive uma estrela dentro da banana, uma galáxia

rapto para oz

E de uma hora pra outra, me pego em terra devastada. Como se tivesse caminhado até lá sem saber, e de repente me percebo na paisagem aterradora. Por fora, a vida segue igual. Só me dá vontade de correr, correr, correr. Fugir. Corro com os pés pregados no chão. Dói. Demora pra perceber de verdade onde estou. Só o Pedro, que vive entre os mundos, viu primeiro. E na sala de casa, ontem me disse: mãe, vamos voltar pra casa?  

meu avô era um peixe

Tô meio sumida aqui, porque ando escrevendo uma peça. Mas como tenho boca grande difícil de ficar fechada, vou deixar escapulir um pedaço. É história inventada, mas doeu pra sair. Rasgou um pedaço junto, mas essa parte rasgada era só apego. Ou era a placenta, que nem nutria mais essa memória. Mas se doeu, o que nasceu foi verdade. E assim percebi que a dor do parto é aceitação. Quando eu tinha mais ou menos uns sete anos, aprendi a nadar. E o que eu mais gostava era de afundar lá no fundo da piscina, ficar lá parado. Gostava de ficar sem peso e sem som no ouvido. O corpo ficava leve. Eu me sentia parecido com um peixe num aquário, mas era bom. Eu me sentia parecido com meu avô, também, porque quando a gente era menor ficava brincando que meu avô era um peixe....

cons(pirar), gargalhar

hora de dormir, os dois na cama. mas logo escuto gritinhos e risadas vindas do quarto. morro de vontade de ver o que acontece, mas sei que se chegar perto, a brincadeira acaba. Aí entendo que a alegria se contempla sem possuir (e às vezes, com distanciamento). Enquanto isso, a amizade entre irmãos se forja em gargalhadas.