você que aqui entra, abandone toda a esperança

hoje era inevitável: a dor ou o torpor. do torpor meu saco já tava cheio. faz tempo que não posso mais com minha mente enevoada. meus dentes querem morder os cantos da boca se eles se abrem num sorriso falso ou resignado. há tempos que a indignação já bate à porta, mando passar amanhã e ela me acampa com a mão na maçaneta. hoje, rompeu a chutes. nem campainha tocou. a dor é aquela que fingimos desconhecer. é um tipo de desatino que faz perder a compostura, vem montada numa cela de raiva, pelo menos comigo é assim. e as tantas e tantas coisas que de tão cotidianas já parecem os minutos de que são feitos as horas, de repente viram coisa intolerável. desde aquelas mais mínimas e idiotas, como o gato do vizinho que vem cagar no meu jardim – e eu sou obrigada a...

Arritmia

A gente filmou já tem um tempo, mas só agora dá pra mostrar na rede… delícia de ter trabalhado com tanta gente bacana! Arritmia from Clarissa Pellegrini on Vimeo. Arritmia entrecruza flashes de um dia na vida de personagens à flor da pele, quando um simples encontro pode definir um novo caminho. A importância do toque alheio te apontando um norte, em momentos em que a mente aponta para um rumo, enquanto o coração, em dissonância, pede para ser ouvido. ROTEIRO E DIREÇÃO | Claudia Pucci PRODUÇÃO EXECUTIVA | Luiz Fernando da Silva Junior DIRETOR DE FOTOGRAFIA | Ching C. Wang EDIÇÃO | Kika Nicolela ELENCO PRINCIPAL Claudia Schapira Daniela Duarte Laís Marques Marlon Brambilla Ícaro Rocha Realização | NIS ESPM & Dilema...

feita d’água

  minha alma é de rio se acho pedra, desvio mudo rumo, corro ao lado faço curvas, rodopio. então desaguo, desatino, desfaço viro sal em olhos turvos viro onda, evaporo, fico leve, nua, e chovo volto ao fluxo, sigo e rio.   (ilustração de Dominique Fortin...

mulher: quem é você?*

O que você vê é um corpo sem pontas, arredondado, pedindo por presença como um vaso, cheio de vazio, de futuro. Quem sou eu? Sou é silêncio. Um canto que vibra depois da última nota. Espreitando, entre as pedras, esperando na concretude para quando puder ser. E o tempo é agora, no auge da dureza do mundo. Porque eu broto do contrário. Mas eu ainda estou nascendo mulher. Ainda tentando entender de corpo inteiro como é se jogar assim, sem o mínimo de resposta, no escuro. Sem vela. Porque também tem isso, sabe, a gente também pode ser a hora mais escura da noite, aquele segundo em que todas as estrelas piscam, então a gente também pode ser a pausa no respirar nas estrelas. Estou te dizendo, mas ainda não sei dessas coisas. (…) Vão te dizer que a vida é guerra....