pequena escuta no grande hiato das revoluções

O gigante acordou! brandamos, orgulhosos. e sim, foi motivo de orgulho: a manifestação do despertar consciente. porém, com o caminhar da lua no céu, o gigante se revelou multifacetado. E mil cores ainda desconhecidas (ou indesejadas) pintaram seu rosto. então miramos com horror para a face informe do que somos. talvez, pela primeira vez, em contornos tão claros, refletidos nas ruas de asfalto, tão cinzas e tão espelhadas. algumas dessas faces, órfãos de pai, de pátria, de comando, pedem ordem. algumas sentem medo algumas fritam o cérebro buscando respostas rápidas é duro, é terrível: mas junto com o tal gigante, acordamos nossa consciência para o ser ferido e fragmentado que somos: um ser perdido entre múltiplos discursos e gritos de ordem. não é uma pátria, não...

desobediência (poética) civil

acordei meio zonza hoje. é tanta coisa acontecendo que se a gente tenta entender com a cabeça fica louco. o tom geral nas redes sociais hoje era de “e agora?” (na melhor das hipóteses) ou desapontamento com as “distorções”,  e era de se esperar esse hiato depois de tanta euforia. mas – pensei – essa é a hora de ter firmeza para não se perder a esperança. o negócio é seguir o fluxo da História, confiar que o processo desencadeado é sábio – mais que as nossas palavras – e que tudo caminha para a evolução. ainda assim, na prática mesmo, hoje eu estava fora do ar. ou fora da terra. fiquei na rede buscando e compartilhando informações, e perdi o pé das coisas cotidianas. quando dei por mim, estava bem atrasada para...

rainbow eucalyptus – o real imaginario

    arco-iris arco rires baixou tronco pintou pra arvore ficar feliz   verdade inimaginada provando magia materializada...

pequena ode à inadequação

minhas sobrancelhas não param penteadas os (raros) esmaltes não param nas minhas unhas o bico dos meus sapatos não param reto: arrebitam. Os fios da minha cabeça não param deitados: orbitam. Eu não paro num salto alto salto pra fora, pro alto, sempre. Eu não paro quieta. Eu não paro branca. Quando eu nasci, meu nome me disse: manca.