Eu sou G

Ontem estive numa loja para uma troca. Peguei tudo M e sem experimentar, mas chegando em casa, ficou apertado. Fiquei com vergonha. Não mais do meu corpo – do meu preconceito. Nem vou entrar no assunto das padronagens, da diminuição das numerações e bla bla bla, que isso é marmita requentada. Vou falar da minha dificuldade em ser grande. Em ocupar espaço. Em ser quem sou, fora da medida considerada – por quem? – ideal. Então aceitei. Aceitei a música do tempo desenhada em mim, aceitei todas as ondas deixadas pelas gestações, pelos anseios, pelas gulas, pelos medos. Aceitei a medida do presente: não é o corpo do passado nem aquele que poderá ser estreitado por uma nova dieta: agora sou. E sou G. Saí da média. Deixei pra trás a mediocridade....

como educar um saci

Gabriel, meu filho o que que eu faço com você?   Você tá virado do avesso, me virando junto você é o filho do Menino Maluquinho com a Emília. Sem medo da Cuca, e discípulo do Saci. você é insubordinável, irreverente, inflexível nos seus fins, mas flexibiliza os meios, tem ginga da malandragem: olhos atentos. nasceu com pleno domínio de cada músculo, mas escolhe cair o dia inteiro. Porque tem a cabeça na próxima diabragem.   você é, pintado, meu riso de infância. você tem a coragem que eu nunca tive para as desobediências. você é aquele amigo da escola que eu adoraria ter.   mas você nasceu meu filho.   e aí? o que eu faço? o que que é “educar” você? o que fazer com essa parte minha que se recusa a se dobrar a qualquer coisa? que...