entre leites e tomates

– Eu não sou uma pessoa boa. Eu só faço coisas ruins. – Claro que você é uma pessoa boa, meu filho! que bobagem é essa? Provocação ou não, a declaração me entrou como uma faca. Ela me chegou depois de uma bronca: uma espécie de autoconsciência depois da décima arte para puxar o foco. Porque eu não tive tempo de pegar tomates, e veio a retaliação. Não era só fome: era vontade de amor. E o amor estava direcionado a nutrir o irmão menor, de nem quatro meses. Mas Gabriel, de quase quatro anos, o atual filho do meio, não entende, nem pode entender, o que é parar o mundo para precisar alimentar alguém. É difícil aceitar. Eu bem que sei. Depois de amamentar e ninar o caçula, fui atender o pedido. Dei mais: tomates, beijos, um abraço e uma conversa. Mas...