con fiança

  ontem, de frente ao penhasco, lugar tão visitado há tempos, finalmente saltei. a parte que se foi na queda levou consigo a orfandade. levou consigo o desespero. levou consigo a negação da vida, as desculpas do auto-boicote. a corda que me amarrava à mediocridade, a corda que nos separava soltei a última instância da descrença abri mão do controle abri mão de ser esteio estou livre para voltar ao lugar onde primeiro nos encontramos. aquele lugar onde recém-vivíamos nossos desapegos, e sentíamos o frescor da primavera de outubro. renasci para esse lugar em pleno outono. renasci para esse lugar oito meses depois que nosso último fruto chegou. renasci para esse amor livre de medo coloquei novamente os pés na correnteza, e depois me joguei rio adentro abri mão...

eject

arrancado o mastro principal, talvez seja impossível não ouvir as canções do medo: a voz enlutada do adeus. Mas escuta também, no silêncio, numa quase entrelinha do lamento, delicados sons frescos orvalhados: os primeiros acordes da liberdade.

pedido antes de soprar 39 velas

Que hoje, aos 39 anos, eu consiga agradecer e ver todos os recursos internos e externos disponíveis para (e)levar minha vida a um novo patamar de sentido. Até aqui cheguei. Vivi em uma família boa e doativa, tomei coragem para alçar vôo sozinha nma cidade imensa, desenvolvi talentos, ampliei minha consciência para além de meu próprio mundo, plantei sementes, uni minha estrada com um homem querido, levantamos um lar, evocamos e temos criado filhos. Estou cercada de amigos, de afeto, de outros corações e lares para pousar meu avião, que está sempre disposto a novos vôos. Agradeço a tudo o que vivi, doei e recebi. A todos que de mim cuidaram e cuidam, aos que convivo e troco, àqueles dos quais eu cuido e tem sido para mim a maior fonte de sentido, movimento e...