acordando pra vida

Acordei ainda tonta. há poucos segundos, vivia numa espécie de ditadura. Sem recursos. Sozinha. Controlada por homens terríveis. Na beira do fim do mundo. O Horror. O sobressanto trouxe de volta a lucidez. Então me perguntei o que me fez ter sonhos assim. Não, não é óbvio: o resultado das eleições é uma coisa, minha interpretação dos fatos é outra. Percebi que o MEDO que teceu esse pesadelo é o mesmo que moveu muitos de nós em direção às urnas. o MEDO que a água acabe, que só a polícia sobre (no meu caso), de que a situação não mude (como não, se a vida é mudança?), que os recursos se esgotem, bla bla bla. E pior: medo que o bando oposto ao meu seja a razão da minha desgraça. Embarquei nessa viagem de ódio. Embalada nesse “espírito esportivo”, fiz...

o abraço que mora nas bordas

Sim, tem limite. É necessário ter. Mas eu achava que não. É claro, a última memória de ser filha pousava na adolescência, época de romper tecidos, de sair da casca. Da primeira infância, eu pouco lembrava ao virar mãe. Então não entendia que, para ser irreverente, era necessário primeiro reverência. Que para romper a pele, é necessário suporte. Isso pode, isso não pode.  Isso sim, isso não. corte. frustração. No começo, tentava outra coisa: negociação. adulação. Por fim, competição. Sem saber, chorava mais que a criança sedenta de bordas. Reclamava cansaço. Fugia pro espaço (sideral ou virtual). Tinha impulsos consumistas, trocava coisas por sossego: da bolachinha açucarada ao brinquedo psicotrópico, as babás eletroeletrônicas, os passeios estrambóticos. Mas nada...