a concreta poesia dos dois anos

Ó só, mãe! Ó só! Aguatéa! Aguatéa! (sim, ele repete tudo umas oito vezes) Aguatéa! Aguatéa! Aguatéa! (Água-terra: Francisco vendo, maravilhado, da janela do carro em viagem, as curvas de um rio)

pequeno sacerdote das notas

Você ensaiou essa música durante um tempão. A flauta, quase uma extensão dos seus braços, do seu fôlego, trazia diariamente à vida o Natal Nordestino, canção escolhida para a apresentação de final da ano. No dia, todas as crianças a postos. Uma mão de coruja segurava uma câmera trêmula, buscando sua imagem no meio do coral. Logo vi: você estava posicionado atrás de uma criança mais alta – não por querer se esconder, mas por não se importar em ser visto. O espaço era apertado, o calor era muito a os professores davam seu máximo. No meio da apresentação, no momento em que as flautas fariam sua parte, alguém te colocou à frente. Para minha surpresa, você ficou completamente de costas. Logo, o mistério se revelou: de costas para a exibição, mas de frente para a...