Meu inverno é fluxo. Minha paz é vermelha.

  30 dias já. Nada dela chegar. Isso é terrível. Essa suspensão, sob um céu cinza, trovejante. Tempestade que ameaça, mas nada de água.   Às portas da tenda, aguardo a autorização para o repouso. Tenho me dado esse suspiro: pelo menos, um certo recolhimento. Aquele, para a refazenda. (ai, abacate do Gil, fruta-fêmea que se escuta e respeita).   Mas nada. Não é gravidez, fiz até o teste. Nada excepcional. Apenas espera.   O fluxo, antes, era reduzido. De 28 pra 25. Três dias apenas na conta da diferença, até passei em consulta pra ver se tudo bem ficar assim, “desregulada” e tal – contudo, em segredo, gostava dessa estação adiantada. O resguardo virou luxo em tempos de tanto barulho. Essa era minha pequena subversão:...

renamorados

  Nos poucos silêncios que nossa vida louca nos oferece, às vezes contemplo a chuva de prata que se derrama calmamente sobre seus fios escuros. Como se o tempo não fosse acelerado Como se a rotina não fosse intensa Escorre o pra(n)teado pelos anos a fio, lembrando cada uma das tantas travessias. Desafios mortais, ora em desertos de acidez, ora em pântanos de desalento. Eis o conto de fadas da vida adulta: o heroísmo nos mínimos atos cotidianos, enquanto a aventura grita dentro. Combatemos feiticeiras, barba-azuis, manipuladoras, assassinos, descrentes da vida, errantes desafortunados, Combatemos a inconsciência que nos faz refém das vilanias, aquelas que tomam o corpo do ser amoroso. Mas essas são as provas. Esses são os percursos que fortalecem, em...