hackeando a distopia

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– Mãe, você já reparou que antes todo mundo andava com um spinner e agora ninguém mais brinca? – comecei a manhã com essa indagação.

– Pois é, né? E pra onde você acha que foram todos eles?

– Pro lixo? – o Gabri pergunta, já meio chateado, girando o seu entre os dedos.

– Ou pra um canto da casa, pra depois virar lixo – respondi, já me perguntando se estava ou não pegando pesado.

Gabriel ficou pensativo. Logo mandou essa:

– Isso é triste. Imagina, cada spinner desse, feito com tanto carinho e amor, e as crianças não querendo mais brincar…

Ele foi sincero. Para ele, fabricar brinquedos é coisa séria. É o que o ele vê o pai fazendo todos os dias: vai para sua oficina, fica lá, dedicado, quebrando a cabeça para pensar numa coisa legal, e sai com um brinquedo feito por ele, com carinho e amor.

Para o Gabri, os fabricantes de spinner também são homens como o pai, Djair-Nicolau, que dedicam suas vidas a fazer coisas bacanas – e duráveis – para as infâncias.

Preferi ficar quieta dessa vez. Realismo tem limite. Ele só tem 7 anos, ainda pode imaginar que os brinquedos do mundo sejam todos feitos assim. Não seria eu a pessoa, nesse momento, a desmontar essa linda imagem.

Até porque o futuro ainda não chegou, e nunca se sabe o que pode acontecer.

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